1. HTML e CSS são ingredientes vitais em várias iniciativas do digital publishing
Vivemos
um estágio onde há diferentes tipos de livros e revistas digitais, com
formas de produção e plataformas de leitura específicas, algumas
abertas, outras proprietárias, e a todo momento vemos surgir novos
tipos. Todos podem ser igualmente chamados de publicações digitais. Em
qual deles vale a pena investir profissionalmente? Se pudéssemos apostar
em um terreno seguro, acima de qualquer discussão sobre padrões, para
quem quer navegar nessa onda dos eBooks, esse seria o das linguagens
web. Elas são os blocos de construção básicos dos principais tipos de
livros digitais, ePUB e Kindle, e estão por trás de várias outras
iniciativas que transformam conteúdo web em livros eletrônicos, como o Pressbooks. Mesmo livros e revistas no formato de aplicativos podem ser construídos com a ajuda delas, e como a web não vai à lugar nenhum, é bem provável que essas tecnologias padrão sejam relevantes por muito tempo – a decisão da Adobe
em focar em HTML5 para desenvolvimento mobile, deixando de lado o Flash
Player para estas plataformas, é um forte sinal nesse sentido. Entender
e dominar o idioma da web é meio caminho para se manter “dentro do
jogo”. Fugir dele é inútil.
2. Programas totalmente WYSIWYG para criação de conteúdo web tem sérios problemas
Eles
existem, e tem suas aplicações, mas são pouco flexíveis e inserem ainda
mais complexidade no processo de desenvolvimento. O que se pode fazer
com eles é limitado, por que a web – e o mundo do eBook, que bebe da
mesma fonte – é um meio complexo, cheio de possibilidades, e deve ficar mais complexo ainda com o HTML5.
Ao contrário do setor gráfico, onde ocorre uma forte padronização das
tecnologias e delimitação do ambiente, métodos e programas de produção –
basicamente construídos sobre o PostScript/PDF
–, no mundo web não há um ambiente restrito que delimite tão fortemente
o contexto de apresentação gráfica da informação. Basta imaginar os
diversos tamanhos de tela disponíveis, métodos de interagir com a
informação (teclado, mouse, touch), modos de cor, versões de
programas, velocidades de conexão, plataformas, níveis de suporte aos
padrões… Enfim, não há uma única maneira padronizada e universalmente
aceita de preparar um conteúdo automaticamente diante desse cenário,
pois essa é a natureza do meio: ilimitado, aberto, colaborativo. É por
isso que é tão difícil criar um programa totalmente visual para conteúdo
baseado em linguagens web. Até agora, não há nenhum capaz de lidar com
toda a gama de possibilidades e problemas inerentes à produção, seja
para a web ou para eBooks. Na prática, para resolver os problemas
criados por eles é preciso ainda mais conhecimento das linguagens.

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