segunda-feira, 8 de julho de 2013

(Relato) As origens de um case de sucesso na iBookstore

(Texto de Alexsandro Stumpf)

Foi em 2010, diante da entrada do iPad no Brasil, que despertou meu interesse pelos livros digitais. A demonstração do livro A menina do narizinho arrebitado, de Monteiro Lobato, na Bienal de São Paulo, aguçou, na época, a minha curiosidade sobre a produção de eBooks. Atuando há três anos numa editora universitária e há mais de 10 anos na área de criação gráfica, percebi que era hora de buscar novos desafios.

Inicialmente busquei compreender como o mercado editorial estava se adaptando a esse novo cenário, quais eram os dispositivos, os formatos e os aplicativos de leitura que vinham ganhando destaque. Confesso que os Apps me enxiam os olhos. O que eu queria mesmo era produzir livros interativos. Sobre o formato ePub, não conhecia muito e me parecia limitado em termos de interação – percebi, mais tarde, que estava equivocado.

Nesse período eu também buscava ingressar em uma pós-graduação em nível de mestrado. Descobri que em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), estavam ofertando o curso de Mestrado em Design e Expressão Gráfica, com uma linha de pesquisa na área de hipermídia. Era tudo o que eu precisava para iniciar a elaboração de um projeto sobre livros digitais interativos.

Meu objetivo com o projeto não era apenas de desenvolver uma pesquisa teórica, mas também “colocar a mão na massa”. Por isso foi fundamental continuar trabalhando na editora e me sacrificar um pouco com as viagens semanais de Chapecó – cidade onde resido e atuo profissionalmente –, a Florianópolis. Trabalhar numa editora universitária fora de um grande centro, faz com que o acesso a cursos e o diálogo com profissionais da área de livros digitais torne-se um pouco mais difícil. Mesmo em Florianópolis, o mercado de eBooks ainda não tinha grande visibilidade e foi preciso buscar, paralelo ao mestrado, um curso que me oportunizasse aprender na prática a desenvolver livros digitais com qualidade.

Foi aí que conheci o blog Revolução eBooks e, por meio dele, a Simplíssimo Livros. No segundo semestre de 2011 eu já acompanhava diariamente as notícias publicadas no blog, havia me cadastrado no grupo de discussão por e-mail, e logo me inscrevi no curso de Produção de eBooks da Simplíssimo, promovido em São Paulo. Lembro que aproveitei a viagem para conhecer também a Lab360, empresa desenvolvedora do eBook A menina do narizinho arrebitado. Esse foi o divisor de águas para eu optar entre um aplicativo fechado e o formato ePub livre e aberto, acessível em diversos dispositivos e aplicativos de leitura.


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